não era coisa que se pudesse dizer ao ouvido. chamaram-me da varanda de cima quando eu estava a descalçar os sapatos do dia. era já noite e havia fumos de nevoeiro com vontade de adensar. tremeu-me a voz a responder e senti o corpo tenso com o disparo do batimento cardíaco. sentei-me e respirei várias vezes. cada vez mais devagar. era já noite e os sapatos já não calçados arrefeciam no canto da emergência de não sair do sítio. não era coisa para se dizer ao ouvido. havia que berrar alto que o menino tinha nascido e de boa saúde. não me lembro de ter ficado viúvo antes de me chamarem assassino. da varanda de cima veio um tabuleiro de crepes de amêndoa acabados de fazer e um alarme cheio de intenção. o menino afinal não tem cadastro mas os olhos postos em quem espreita.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
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