segunda-feira, 11 de outubro de 2010

era ainda estranho para mim. não para os que ali viviam há muito ou sempre viveram. aborrecia-me acordar sem a alegria do dia anterior. incomodava-me a tranquilidade das pessoas. comecei a perceber quando a tristeza não se repetia. todas as manhãs a cidade era diferente. tudo sucumbia à madrugada. nada resistia ao nascer do dia. aos primeiros raios de luz nenhuma alegria ou tristeza do dia anterior permanecia. era esta justiça que me fazia perceber paulatinamente a tranquilidade dos meus vizinhos. que nem sequer eram sempre os mesmos. ali acordava-se com outra família. ninguém amava mais do que um dia. nada significava o que quer que fosse mais do que um dia. no dia seguinte os amigos eram outros. igualmente verdadeiros. os dias eram intensos. o carácter efémero das coisas ia perdendo importância à medida que eu ia percebendo que tudo era verdadeiro porque não havia razões para fraudes. não havia lugar para expectativas. não havia tempo para construir dramas nem para duvidar de amores eternos.





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