terça-feira, 7 de setembro de 2010

a Márcia aparecia de quando em vez. trabalhava na arqueologia. andava sempre por fora. falava extremamente baixo e eu ficava arrepiado só de a ouvir saudar. a chuva excitava-a tanto que me chamava para dançarmos descalços e de calças arregaçadas pelo joelho na rua. acabávamos invariavelmente nus da cinta para cima a fumar ganza. era viciada em sexo e ganhava dinheiro com isso. nunca fizemos sexo os dois nem estivemos próximo disso. às vezes tinha tanto prazer que dispensava o dinheiro. ao que diziam era demasiado passiva na cama. o Zico que um dia apareceu com o Quintino no torneio de hóquei amava a Márcia. a Isilda nunca percebeu se era mesmo o amor dele ou dele a necessidade do amor dela. e eu nunca percebi a diferença. o Rui vivia quase exclusivamente de noite e passava horas paralisado a olhar uma foto que havia colado na porta do guarda fatos.






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