a Francisca que se sentava na esquina a ler trabalhava no bar à noite. o Cristovão frequentava o bar. a Francisca não conheceu o pai e a mãe desapareceu ainda miúda. o Cristovão fixava as mãos doces da Francisca e demorava a pedir ao balcão. a Francisca aguardava sempre com ansiedade a chegada do Cristovão e ficava impaciente nas noites em que ele não aparecia. namorava com o tipo estiloso que colocava os discos a tocar. trocava piadas com o Cristovão ao balcão e observava-o atentamente ao longo da noite. o Cristovão procurava o sorriso da Francisca entre as batidas e fazia questão de retribuir. quando se encontravam de meses a meses a Francisca nem sempre se vinha. ela nunca se alongava ao balcão e evitava servir o Cristovão. era a pessoa mais importante da sua vida. amava-o a ponto de o rejeitar. mantinha uma distância artificial que só quebrava quando o sentia demasiado afastado. amava-o tanto que não se permitia tê-lo para si temendo o risco imaginário de um dia o perder. o Cristovão amava a Francisca e ela sempre o soube. um dia o Cristovão pagou a conta e despediu-se da Francisca.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
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