domingo, 12 de setembro de 2010

duas vezes por semana o Quintino ensaiava no teatro das marionetas. apresentavam um novo espectáculo em cada trimestre. a Isilda era voluntária na produção e manutenção das marionetas. o Quintino usava calças de boca de sino e um relógio antigo no pulso direito. a Isilda ignorava as horas e acreditava no destino. lembro-me de o Quintino me ter falado da casa da Isilda. dava-lhe boleia para as marionetas e ela segurava-lhe as pontas que é como quem diz masturbava-o na viagem de regresso a casa. a Isilda acreditava num destino dinâmico em que o mundo se organiza intencionalmente com um objectivo particular mas não imutável. em que as infinitas variáveis que compõem o cosmos se conjugam para um determinado fim e se reorganizam em cada instante forçando alterações ou permitindo opções. a Isilda abdicara dos sentimentos na adolescência procurava emoções fugazes. o Quintino era bom a manipular as marionetas péssimo a enganar plateias e um desajeitado a falar a sós.





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