chegava de manhã e sentava-me ao balcão. lia o jornal até ao raiar do Chico. vinha sempre com um sorriso malandro e uma energia contagiante. ao pequeno almoço havia sempre tema de conversa. era doido por mulheres. tanto tanto que sentia necessidade de as experimentar. e experimentava como quem experimenta carros. nunca ia para a cama mais do que duas ou três vezes com a mesma mulher. acreditava que acima disso só podia ser amor e recusava-se a trair o amor para com a Flávia a namorada desde sempre. a Flávia trabalhava dois pisos acima. trocávamos olhares por entre as cabeças perdidas ao longo do salão onde almoçávamos. éramos tão cúmplices que combinávamos encontros ali mesmo sem precisar de falar. ela gostava do sossego do clube literário. a luz era rara e o cheiro a livros excitava-a. a Flávia era mulher difícil. era como o Jazz difícil de perceber. e como o Jazz quem não a percebia odiava-a. e como o Jazz quem fosse de capaz de a entender corria o risco de a amar obcessivamente. tornava-se doentio. no final da noite acabávamos sempre a semear cinza de incenso numa página de um livro de poesia. e eu a ter prazer com ela. ela a ter prazer comigo confessou muito depois. eu a dar-lhe prazer então e ela a dar-me muito prazer. a Flávia não era muito magra mas sabia seduzir os homens. era insaciável na cama e impenetrável no dia-a-dia.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
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